quarta-feira, 11 de abril de 2012

Por que caímos?


  
  Quando eu tinha 7 anos ganhei minha primeira bicicleta. Ela era linda: lilás (minha cor preferida desde sempre), tinha cestinha e todos aqueles frufrus que nós meninas adoramos. Eu mal via a hora de andar naquela belezura! Porém, havia um pequeno grande detalhe: eu não sabia andar sem rodinhas.
  No começo meu pai até chegou a instala-las (as rodinhas) na bicicleta mas elas eram muito frágeis e entortavam com o peso. Não conseguia dar uma pedalada que já caía. Eu chorava, frustrada por não conseguir aproveitar o meu presente. Foi então que num certo momento eu sequei as minhas lágrimas, mandei meu pai tirar as rodinhas e me prometi que ia aprender a andar naquela coisa de qualquer jeito. Todo o dia quando chegava da escola eu pegava a bendita da bicicleta e ia treinando. Caía trocentas vezes, me sujava toda, mas levantava. Foi então que entre quedas, roxos e pernas raladas, depois de um mês eu consegui dar a minha primeira volta! De repente todos aqueles machucados e arranhados ficaram insignificantes perto da sensação indescritível que foi dar a minha primeira volta de bicicleta! Esse momento, no dia 15 de novembro de 1999, ficou por muito tempo marcado como um dos dias mais felizes da minha vida.
  Quando eu tinha 9 anos a moda na minha escola era pular corda. Todo mundo tinha e quem não tinha pedia para os pais comprarem. Todo os dias na hora do recreio e da saída as meninas (e alguns meninos também) se juntavam e competiam para ver quem agüentava ficar mais tempo pulando. Eu morria de vontade de brincar também, mas havia outro pequeno grande detalhe: eu não sabia pular corda.
  De novo senti aquele mesmo aperto no peito, sintoma da frustração. Tinha vontade de chorar sempre que eu era excluída das brincadeiras por não saber pular. Foi então que um belo dia eu prometi a mim mesma que iria aprender a pular corda nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida (dramática mode on rsrsrsr). Meu pai comprou uma corda para mim e eu comecei a treinar imediatamente. E foi assim todo o santo dia! Tropeçava, caía, suava em bicas e ficava toda dolorida. Nada disso me abalou e, em pouco tempo, lá estava eu dando os meus pulinhos feliz da vida no recreio!
  Hoje me lembrei desses dois momentos e me dei conta que muitas vezes deixei aquela menininha determinada no passado. As dificuldades me abalam e nos primeiros obstáculos já sinto vontade de desistir. Se o meu eu do passado me visse hoje, ficaria apavorado. Mas hoje aquela menininha tinhosa veio me visitar e me lembrou do que eu quase havia esquecido. Que desafios são feitos para ser vencidos. Que dificuldades ajudam no nosso crescimento interior. 
   Como disse o Alfred em Batman Begins: "Por que caímos, senhor? Para aprendermos a nos levantar."  E ao nos reerguermos, a sensação incrivel de superação faz todas aquelas quedas, roxos e arranhões valerem à pena!

2 comentários:

  1. Oi Mariana,
    gosto muito dos seus textos.E gostei muuiito desse em especial.Na verdade a gente às vezes esquece de nossas características de criança, tão boas características que deixamos o mundo nos roubar...Consigo até te ver sorrindo enquanto pedalava a bike...Não deixe NADA te levar aquela menininha. bjss dinda

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    1. Aiii Dinda, obrigada!! Eu hoje estava precisando reler este texto...
      Beijoss

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